Archive for Janeiro, 2011

2011/01/31

Huis Clos e Maria Bonita

Depois de uma temporada fora da semana de moda paulista, Huis Clos volta com uma coleção minimalista e com grandes volumes na parte de cima. O tema é “signos expressivos presentes na alma das mulheres; imagens que travamos com nossas questões mais instigantes; mistérios que jamais serão desvendados”. A cor predominante, inclusive da passarela, é negra, além de cinza e marinho. Gostei da combinação de materiais nas peças. Vários recortes e texturas como lã, rendas, pêlo sintético, malha, jacquard, xadrez e nylon (linda a primeira jaqueta do desfile). Adorei as luvas com pêlos, os botins e as máscaras de penas. Ultra feminino e sensual.

O segundo desfile foi da Maria Bonita. A coleção é inspirada na cidade de Brasília e na obra do pintor brasiliense Athos Bulcão – foi um renomado pintor, escultor, arquiteto, desenhista e mosacista. Muitas peças lisas nas cores azul, marrom, preto, cinza, off-white e estampa em mosaicos. A coleção é dócil, pueril, leve e descomplicada em materiais como seda, malha de lã e algodão dublado. Super confortável.

Créditos: © Agência Fotosite (Site: http://ffw.com.br/)

Anúncios
2011/01/31

Ashton Kutcher para a Colcci? Não o vi…

Até agora domingo foi o meu dia favorito. Começou com o desfile da Iódice. Achei a coleção clean e feminina. O tema são as obras do fotógrafo Sam Haskine, que faleceu em 2009. Ele é um dos precursores do fine art e das montagens pré-Photoshop. A outra novidade foi o stylist de Benjamin Calopin, qual foi assistente de Carine Roitfeld e hoje trabalha com a Versace e Tom Ford. Tecidos como couro (quero as luvas longas), jérsei, georgette, seda, lã com detalhes em franjas de couro, tachas e bordados. A cor predominante é o preto com um pouco de branco, nude, marrom (mas bem clarinho), laranja, e detalhes em dourado. Adorei as cinturas marcadas, a fluidez dos vestidos e os chapéus.

E quem estreou na SPFW foi a Juliana Jabour e quem trouxe mais uma vez Fernanda Lima para a passarela. A coleção linda e fofíssima como sempre. Um grunge super moderno. Peças ultraconfortáveis com muita personalidade e estilo. Gostei muito do stylist de Daniel Ueda e da beleza de Daniel Hernandez. Materiais como algodão acetinado, crepe de chine, gaze de viscose, malha com lurex, moletom de lã, tafetá texturizado e sarja de algodão. Tecidos com toque sedoso e para o nosso conforto. A cartela de cores é escura (azul, beterraba, preto e verde militar) com um pouco de bege.

A Cori mostrou um desfile mais austero. Nenhuma novidade nos shapes. Vestidos curtinhos com maxi paletós, saias longas, vestido acinturados Muito preto, branco, vermelho e bege. Materiais desde lãzinha e pele. A beleza limpa somente com batom vermelho e cabelo preso.

Depois do incêndio que destruiu o acervo da Osklen, Oskar decidiu fazer uma coleção com os clássicos da marca. Desde o tênis mais copiado, dos cashmeres de gola V, dos blusões que transformam em saia e vice-versa. A cartela de cores é rica, desde cinza, azul Royal, vermelho, verde, laranja, bege, ocre. Até a estampa de hibiscos quanto ao fogo do incêndio fizeram parte da releitura. Oskar foi buscar na Itália o cashmere, trouxe para passarela também lã, chamois, couro, moletom (claro!!!), pelúcia e couro de peixe.

E para quem estava ansioso esperando o maridinho da Demi Moore (que estava na primeira fila): Ashton Kutcher para a Colcci o viu somente na entrada final com jeans escuro, camiseta soltinha e jaqueta de couro. Parece piada, mas é verdade. Depois de todo o burburinho fashion. A Bienal devia estar lotada e vimos mais uma vez apenas Gisele que se despede (até quando?!) das passarelas nacionais. A coleção é comercial. Muitas hot paints, corselet, camisões, vestidinhos, calças ultraskinny. As cores preto, azul, bege, blue e black jeans, salmão e xadrez.

Créditos: © Agência Fotosite (Site: http://ffw.com.br/)

2011/01/30

Reinaldo, Ghetz, Ellus, Neon, Amapô e Alexandre

O primeiro desfile desse sábado foi de Reinaldo Lourenço um dos desfiles mais bonitos dele. Uma coleção muito chique e refinada. A inspiração é pérolas da noite, alta-costura e festas privés dos anos 30. O preto é a cor predominante, mas há também muito off-white e uma estampa de boquinhas com fundo branco e nas cores alaranjadas e Black. Couro muito bem trabalhado com babados e recortes, alfaiataria impecável.

A estréia da Ghetz na SPFW trouxe o jovem estilista Lucas Nascimento para criar suas peças em tricô. As peças são sequinhas, próximas ao corpo, leggings em lã e pantalonas amplas plissadas. Uma coleção com cores fortes como vermelho, berinjela, azul, roxo, cinza e preto.

Pena que minha época clubber já passou, caso contrário ia querer muito uma calça jeans que brilhasse no escuro. Essa foi a aposta da Ellus que trouxe o Luminatto Jeans que brilha no escuro, como o jeans com acabamento de couro – o leather denim. Na onda mundial do 3D a Ellus montou uma sala de cinema no espaço, desenvolvido pelo fotógrafo Jacques Dequeker na qual a coleção foi transmitida em nos cinemas do Shopping Iguatemi em São Paulo e no Fashion Mall no Rio. A estrela foi a modelo catarinense Aline Weber a la Barbarella. Jeans justíssimos, calças ultraskinny, vestidos curtíssimos, minissaias e plissados foram o forte da coleção. Amei as botas pesadinhas e o make super clean de Robert Estevão.

Adoro os desfiles da Neon é sempre uma festa e  explosão de cores. Adoro a estampas criativas e coloridas. Tecidos como seda, tafetá, gorgurão, malha, plush, jersey, couro, camurça, veludo, tricô, crepe e linho. Algumas peças soltinhas e confortáveis, mas algumas justíssimas e curtíssimas. Para variar nada de básico na coleção.

A Amapô trouxe um desfile masculino com ótimos recortes, alfaiataria, sobreposições, cores e estampas que eu adorei. A coleção feminina é muito colorida e se sobressai pela mistura de materiais. As formas são desconstruídas, vestidos amplos e algumas peças próximas ao corpo. A cartela é uma mistura de cores e duas estampas: “Segredo do Abismo”, criada pela cantora Cibelle, e “Tapeçaria”, de Fábio Gurjão.

A noite encerrou com Alexandre Herchcovitch. Para ser sincera achei bem bizarra e estranha essa coleção. O tema: rochas vulcânicas, magma, vulcões e sedimentos de rocha que por sinal não explodiu. Predomina o preto com pontos em amarelo enxofre. Tecidos como cetim de seda envelhecido, chiffon de seda, cashmere e renda. As calças são desconstruídas e as saias assimétricas, barras longas, cinturas no lugar e mandas amplas. Quem fechou o desfile foi a modelo transexual brasileira Lea T.

Créditos: © Agência Fotosite (Site: http://ffw.com.br/)

2011/01/29

São Paulo Fashion Week

E ontem na Bienal começou mais uma São Paulo Fashion Week Inverno 2011. O primeiro desfile foi da Animale. Quem abriu o desfile (mais uma vez) foi Raquel Zimmerman. A maior parte o desfile em branco, com pinceladas no nude, laranja, azul e fechando no petróleo, castanho e preto. Apesar dos tecidos como tricô em lã e couro achei a coleção bem fresquinha. Sandálias de tiras finas super verão. Alguns tecidos acetinados e organzas de seda. A silhueta na maior parte justa. Um desfile em geral minimalista.

O segundo desfile foi da marca Tufi Duek, hoje pertencente à catarinense AMC Têxtil. O tema é a arquitetura e o design escandinavo. Peças estruturadas, femininas e desejadas. As cores desde off-white, nude, dourado (incrível) e preto. Os tecidos são sofisticados: crepe, organza, paetê e couro, muitas vezes misturados entre si. As formas são amplas ou justas ao corpo. Vários comprimentos na coleção, calças secas e pantalonas que estão voltando com força. A beleza é bem natural, o cabelo dividido ao meio e preso. Simples e clássico.

Quero a coleção inteira do Samuel Cirnansck!!! O tema “uma mulher urbana perdida na floresta em uma noite fria” (que historinhas, hein?!), o trabalho surrealista do pintor Mark Ryden e do escultor Patrick Doughert. Silhuetas variadas, muitos fluidos, moulage, corselet (marca chave de Samuel) e uma pitada rock’n’roll. As cores começam clarinhas com bege, branco, nude e passa para azul e preto. Os tecidos são transparentes, rendados, lã, viscose, algodão, látex e silicone. Muito bordado, frufrus, cristais, vidrilhos e canutilhos. A coleção é extremamente feminina e urbana. Vestidos com trech-coats, sensuais e contemporâneos.

A noite terminou com a jovem Triton que até disponibilizou o desfile ao vivo no site da marca. E para abrir o desfile, ninguém menos, que a herdeira Paris Hilton. O tema o estilo college muito bem trabalhado e conceituado. Coleção rica em cores e estampas: preto, cinza, azul, verde, caramelo e estampas metalizadas. Materiais como matelassê, algodão, bordados, lã, pele, rendas e veludo. Saias assimétricas, pregas, cinturas marcadas, calças secas, camisas e recortes clássicos de bons paletós e uniformes de colegiais. Um desfile cara das meninas da marca.

Créditos: © Agência Fotosite (Site: http://ffw.com.br/)

2011/01/28

Interdecoração no Porto

Até o dia 30 acontece na Exponor (Porto) a feira Interdecoração para casa, decoração, hotelaria e brinde. Passei rapidamente pela feira e observei muitos materiais como o vidro, aço e ferro, plástico em cores vibrantes, luminárias em diversas formas e tamanhos, mas em cores sóbrias como cinza, castanho e branco.

O motivo que me levou a feira foi a palestra de Marketing Relacional para o comércio, retalho e hotelaria promovido pela E-Goi – uma plataforma de marketing multicanal.

A comunicação de massa revolucionou depois da Internet. Surgem vários canais de comunicação com os consumidores desde websites, redes sociais, assessoria de imprensa, celulares, voz automatizada.

Uma empresa que não está na Internet provavelmente não existe”.

E é verdade, se a sua empresa/marca/serviço/nome não está no Google, ninguém a conhece. A era da Internet permite enviar mensagens interativas, gerir relações com os clientes. Este meio permite maior controle com os clientes, maior taxa de eficácia e o mais interessante orçamento baixo, pois pode ser trabalhado a partir de contas de e-mail, telemarketing e base de dados.

Assistimos um vídeo entre a relação da publicidade e do consumidor como um relacionamento.

2011/01/26

ModaLisboa já tem data!!!

2011/01/21

Antígono por Tenente

Hoje estréia no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB) a ópera “Antígono” – uma ópera em três atos de Antonio Mazzoni com libreto de Pietro Metastasio (1775). A novidade é que o figurino foi desenvolvido pelo criador português José António Tenente. Seu estilo é definido por linhas clássicas e corte tradicional, diz-se influenciado pelo imaginário romântico, relacionado com a música e inspirações barrocas. As peças são quase uniformes, formas geométricas e de cores únicas, como preto, vermelho e azul. Um espetáculo que não se pode perder!!!

2011/01/20

Cursos online IBModa

2011/01/20

Família êh! Família ah! Família!

“Família é prato difícil de preparar”

(do livro O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar.

São muitos ingredientes, reunir todos é um problema. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida.

Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.

Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você?  É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do género e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe

Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo,  em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a  Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.  Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

 

“Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes”


 

2011/01/19

Bread & Butter 2011

Para maiores informações: http://www.breadandbutter.com/